ABPS - Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama
   ARTIGOS - MARIA APARECIDA MARTIN

 

SOBRE O VIVER DA ABPS

Maria Aparecida Fernandes Martin

 

        Nos últimos meses tenho estado muito próxima da História da ABPS – Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama, isto é das páginas que já foram escritas, pois acredito que muitos serão os livros a comporem esta história.

        Sua história é bem antiga e a meu ver antecede a sua fundação. O primeiro marco penso que date de 1962, quando seus fundadores dão os primeiros passos no Psicodrama, Íris Soares de Azevedo, coordena um grupo de estudos do qual também fazem parte José Manoel D’Alessandro e Alfredo Correia Soeiro, e passam a desenvolver psicoterapia grupal em seus consultórios usando o Psicodrama.

Em 1966, José M. D´Alessandro, Íris S. de Azevedo e Alfredo C. Soeiro  conhecem Jaime G. Rojas Bermúdez, no II Congresso Internacional de Psicodrama, em Barcelona - Espanha,  no qual também estavam presentes Moreno e sua esposa Zerka.

Em 1968 tem início o GEPSP – Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo, onde os fundadores da ABPS fazem sua formação com Rojas Bermúdez.

Digamos que assim começou sua gestação, um aquecimento para o seu nascimento.

1970 – Vivemos o caos: Caos social e político no Brasil.

Em agosto de 1970, o GEPSP organiza, no Brasil, o V Congresso Internacional de Psicodrama e Sociodrama e I Congresso Internacional de Comunidade Terapêutico, no MASP em São Paulo, presidido por Alfredo Correia Soeiro, onde algumas rupturas importantes acontecem, como descreve Bermúdez em seu livro Introdução ao Psicodrama – Edição de 1980, vivemos também um caos psicodramático.

Em meio a tantas angústias e embates, nasce a ABPS.

Baseada na proposta Moreniana e enriquecida pelas contribuições de Bermúdez a ABPS dá seus primeiros passos continuando a formação de psicodramatistas nas áreas terapêutica e pedagógica, atualmente denominados foco psicoterápico e foco sócio educacional, respectivamente.

Já em 1975 na gestão do D’Alessandro são criados nosso Instituto e nossa Biblioteca, em funcionamento até hoje.

Construímos jornadas, uma linda festa científica comemorando sua maioridade – 21 anos de ABPS, nos “salões” do SESC Pompéia.

Produzimos jornais, algumas edições de “O Protagonista”.

No final da década de 90 entramos para a era da informática, criamos nosso site e em seguida os “Boletins Eletrônicos”.

Produzimos muitos trabalhos junto à comunidade.

Na festa dos 30 anos, realizada aqui mesmo, nesta sede (Rua Eça de Queiroz, 220), pudemos nos encontrar com antigos dirigentes que compartilharam um pouco de suas histórias Sobre o Viver da ABPS, momentos bons, outros difíceis, situações onde a sobrevivência da ABPS viu-se ameaçada.

De 1970 a 2008, muita coisa aconteceu, tivemos 15 presidentes, momentos de raiva e de amor, de rebelião e de união, tristezas, angústias, muitas conquistas, alegrias e tantos sentimentos quantos pudermos viver.

Penso ter escrito algumas linhas, ou melhor, palavras nesta história e convido você, e você também, a contribuírem para a escrita desta história Sobre o Viver da ABPS.

Peço licença ao leitor para neste momento lançar mão do recurso psicodramático e concretizar a ABPS, a fim de dirigir-lhe algumas palavras.

“À ABPS, que me recebeu de braços abertos, acolheu e orientou minha eterna gratidão e que eu possa retribuir toda esta generosidade e acolhida, contribuindo para o seu viver.”

 

 

SOBRE O VIVER NAS EMPRESAS

                                                        Alcione Ribeiro Dias

Quem sobreviverá? Quais os tipos de empresas podemos dizer que ainda estarão aqui nos próximos anos? Como elas resistirão às intempéries de toda natureza à que estão submetidas, em especial numa economia emergente como a de nosso país? E, principalmente, quem sobreviverá dentro delas? E como sobreviverão? Quais condições terão as pessoas que constituem este sistema sociométrico complexo – que chamamos empresa?

Observamos esforços de toda natureza sendo empreendidos nas organizações e verificamos a luta de empresários, líderes e empregados, para manterem-se de pé diante dos impérios, dos gigantes globalizados, dos impostos, das doenças ocupacionais, das fomes reais, psicológicas e sociais.

Aproveitando as portas abertas das empresas, para todas as práticas que lhes façam sair de suas crises financeiras, que lhes dêem alternativas para resolução de conflitos nos grupos e criem possibilidades para resoluções criativas que tirem os trabalhadores da inércia, podemos entrar, em muitas delas, com o psicodrama.

Algumas empresas e algumas pessoas conseguem romper com a inicial paralisia provocada pela aparente falta de solução ou caminhos no mundo corporativo, e buscam alternativas mais íntegras e integradas. É sobre estas “organizações” que estamos falando.

É notório que em nosso sistema capitalista, as empresas tenham interesses de resultados e de permanência no mercado. Entretanto, algumas delas, independente de ramo, porte ou demanda, apresentam certas características comuns que vão um pouco além destes resultados financeiros. Elas querem ir para além da sobrevivência, para uma convivência social integradora e pacífica. Elas comungam princípios que nos fazem entendê-las como empresas de futuro.
       
Pierre Weil, há algum tempo, lançou seu olhar esperançoso: “à medida que há crescente ameaça à vida no planeta e que nosso sistema econômico se deteriora, com consumismo desenfreado, com desemprego, corrupção, fome e miséria, surge uma nova geração de pessoas, de empresários, sinceramente empenhados em encontrar soluções para esses graves problemas”.

Moreno já havia nos dado uma alternativa de solução dizendo que o homem tem recursos inerentes ao seu organismo e à organização da sociedade humana e que nunca utilizou, além do estágio embrionário, sua espontaneidade - criatividade.

As empresas necessitam de um “treinamento” maior da espontaneidade-criatividade. Precisam perceber em qual contexto e fase estão para fazer uma escolha entre sobreviver ou conviver. A sobrevivência é movida pelo medo do futuro, pede “uma solução” de curto prazo; é a criatividade a serviço de uma maior produção nos grupos e um conseqüente resultado majorado para a organização. A convivência vai mais além; ela é movida pelo desejo de um futuro melhor – a convivência saudável pede “construção”.

Basta lembrar que houve uma época, e muitas empresas ainda estão vivendo nessa época, em que se acreditava que a alta produção e os resultados abundantes trariam mais felicidade e melhores condições de vida para o homem. Esse modelo se mostrou gerador de avanços e de confortos, especialmente os tecnológicos, para algumas sociedades e grupos, mas acirraram jogos de poder e distorções sociais, produzindo, a reboque, patologias e infelicidades.

Giannetti disse que: “a estrada do progresso nem sempre conduz à felicidade, as promessas que nos foram legadas pelo iluminismo europeu cumpriram-se apenas pela metade. Veio o progresso técnico e, com ele, um maior domínio da natureza e um aumento gigantesco nos níveis de produtividade, renda e consumo. Nada disso traduziu-se num aprimoramento ético e político dos homens”.

Portanto, empresas de futuro têm algumas perguntas norteadoras que devem ser feitas: qual é mesmo o sentido do trabalho? Não seria a felicidade humana a própria produção desejada?  A empresa deve trazer obrigatoriamente benefícios para a sociedade? O colaborador é “sujeito participante” de sua produção? As organizações devem trabalhar pautadas em valores sociais maiores, como a ética, por exemplo?

O mercado parece estar na busca destas empresas em “plenitude” (Weil). Depois da era da produção, e do foco nas pessoas, é a vez da geração de valores, da construção coletiva de valores. Começamos reconhecer que a produção, seja na indústria, no comércio, na prestação de serviços ou no terceiro setor, é fruto de ações coletivas. Os sistemas no mundo e as formas de produção estão organizados em redes de trabalho. Trabalhar é produzir em conjunto. Moreno afirmou que um projeto comum sério deve despertar entusiasmo e suscitar a participação de todos, especialmente se for uma expressão das visões e expectativas desta população.

A empresa, para atender suas demandas, pede entusiasmo, comprometimento e seriedade. Isso está mais presente no grupo que tem uma prática de construção coletiva e que compartilha expectativas e valores. A coesão social de um grupo diminui, inclusive, situações nocivas. Paulo Freire disse: “o compromisso dos atores na construção não pode ser um ato passivo, é uma práxis-ação e reflexão sobre a realidade. Construir valores é um ato educativo, de conhecimento e conscientização; é, portanto, um ato político e de transformação social”.

        A era do conhecimento, o líder educador, o capital humano, a necessidade de transformação e de rápida adaptação e as modas ditadas pelos gurus da administração moderna pedem ação criativa. O psicodrama entra nesta passarela e pode como diz Moreno, “nos ensinar a viver”. Mas pode correr o risco de se tornar mais uma peça de loja de departamento, uma banalizada conserva cultural. Um enlatado na mão de famintos.

Mesmo assim, são evidentes as possibilidades do psicodrama, nas empresas que chamamos “de futuro”. Nelas, o trabalho pode ser mais espontâneo e significativo. O futuro se constrói na ação presente, no aqui e agora. O psicodrama está pronto para a transformação de empresas que querem ser e ter futuro. Cabe ao psicodramatista entender essa perspectiva, que não é nova em filosofia, mas que é recente em sua práxis.

Quem sobreviverá? Quais são as empresas que têm futuro?
Quem não se contentar com o sobreviver egoísta e imediatista. Quem tiver desejo de viver e de gerar valores. Quem trocar o medo do futuro, pela construção coletiva deste futuro.
Quem tiver coragem de agir e de criar.


Sobre o Viver... psicodramatista!

Armando de Oliveira Neto

            A escolha do tema vinculado ao ser psicodramatista teve como objetivo socializar minha construção do papel de psicoterapeuta em Psicodrama com aqueles que estão iniciando.

            Pela participação no Grupo de Estudos de Psicodrama desenvolvido na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e no ano seguinte, 1970, o Congresso Brasileiro de Psicodrama, realizado no MASP, conheci esta forma alegre de psicoterapia.

            Paralelamente o estudo da Psicopatologia e das funções do cérebro foi desenvolvido no ambiente do Psicodrama, por Alfredo Correa Soeiro.

            Naquele início vinculava-se a teoria do Psicodrama à Teoria do Núcleo do Eu, postulada por Bermudez. O retorno aos conceitos de Moreno ocorreu mais de dez anos depois, após os questionamentos de Miguel Peres Navarro, no decorrer do I Encontro de Professores e Supervisores de Brasília.

            Da síntese destas leituras e da alegria, enriquecidos por tudo que aprendi desde minha infância, pela literatura clássica, pelos Cursos de Mestrado, tendo maravilhosos e iluminados mestres, não os citando para não deixar nenhum fora da lista, resultou uma forma de entendimento da psicoterapia como uma das variantes de ENCONTRO.

            ENCONTRO de pessoas com suas histórias parciais e complementares, uma de sofrimentos outra de conhecimentos, que se reúnem com o objetivo comum de enriquecimento mútuo: o do paciente pela aquisição de alternativas para seus conflitos e o do psicodramatista pela incorporação de novos repertórios de intervenção: ambos crescem, cada um trazendo contribuições ao outro, nos acertos e nos erros.

            Entendo que esta seja o Viver... psicodramatista: a disposição interior de cada um de nós para aprender, dar aos pacientes o que precisam, orientados pelo Diagnóstico, e receber seus ensinamentos, num processo sem fim, rumo a um Viver melhor, para ambos e assim poderemos responder a Moreno:

            Quem sobreviverá? Nós, os filhos do ENCONTRO...

 


SOBRE O VIVER PROFISSIONAL DO ADOLESCENTE

Elisabeth L. Bez Chleba

A adolescência é uma das principais fases da incertitude, questionamento, dúvida, descoberta do corpo, do conhecimento, do mundo interno e externo. É a passagem da fantasia, do Castelo imaginário, pelo mundo das trevas, até a realidade. Frente a este  processo percebo que  pais,  professores, tutores, buscam levar o adolescente a um equilíbrio consciente e saudável para o encontro dos seus objetivos.

Os jovens brasileiros, em sua maioria, não tem a oportunidade e tempo de se preparar para enfrentar o mercado de trabalho como gostariam, são muitas vezes impulsionados pela carência e pressão financeira familiar. O seu papel é desenvolvido sob poucos referenciais. Esta angustia trazida me estimulou a realizar um trabalho, desde 2005 no Instituto Dom Bosco. Parti do princípio de que para colocar o jovem de 14 à 18 anos no mercado de trabalho era preciso  provocar a sua espontaneidade e criatividade.

Procurei  abrir possibilidades ao jovem para a busca de uma vida profissional justa e adequada ao seu perfil. Uma oportunidade de sobreviver profissionalmente, iniciando pela sua formação obtida no curso profissionalizante realizado no I. Dom Bosco.1

No início das atividades me ative a trabalhar intensamente com jovens aproveitando o seu dinamismo, ousadia, vivacidade, agitação, mostrando um leque de variáveis, com uma série de oportunidades ofertadas pelo mercado, valorizando suas características pessoais, através de jogos dramáticos. O tempo era curto para a proposta, mas insisti. Após o primeiro ano, percebi que a qualidade do trabalho realizado não correspondia a real demanda, apesar da satisfação obtida no curso, era preciso aprofundar melhor este objetivo, com grupos menores.

Notei que a informação era transmitida, vivenciada e processada com certo distanciamento. Como se o futuro não lhe pertencesse. Apesar de toda a sede de informações, havia muita morosidade e acomodação para a pesquisa sobre como viver o seu futuro. Era muito difícil sair desta zona de conforto.  Era  mais fácil receber propostas do que buscar propostas. O leque de informações profissionais  articuladas - profissão, processo seletivo, mercado de trabalho, postura, CV (curriculum vitae)... parecia atender uma demanda imediata, mas não me sentia estar contribuindo para o crescimento destes jovens. A minha proposta parecia atender cerca de 20 % do grupo, de jovens mais maduros.

Após muitas tentativas constatei que apesar do temor de como sobreviver no mercado de trabalho, o desafio maior era de como sobreviver com o seu corpo e os seus pensamentos. A partir deste momento comecei a redirecionar todo a proposta de orientação profissional. O foco se ateve a valorização intensa da auto-estima do adolescente. Para que ele pudesse descobrir os seus valores, o seu potencial, as suas limitações, as suas possibilidades e aí sim identificar um curso ou uma profissão a ser alcançada que viesse de encontro a estes  anseios.

O jovem procura o curso como uma oportunidade de se colocar no mercado, mas na verdade está na busca de si mesmo. Ele está aberto para novas oportunidades, só precisa descobrir como e qual será a melhor. O meu papel como psicodramatista se ateve primordialmente  na leitura da demanda, pois o meio para se atingir era o caminho mais fácil.  Muitas vezes o resultado da soma era o item menor, o importante era fazer a soma, era descobrir a demanda do grupo, assim como para o jovem, era descobrir o seu potencial. O primeiro passo para a busca do sobreviver no mercado está no ‘prefácio’,  está na constatação dos seus valores e como estes podem agregar positivamente ao meio. Exercício  que deve ser revisto periodicamente por todo o profissional.

As 259 pessoas com quem trabalhei me fizeram constatar que a  proposta inicial de um  trabalho, não pode jamais estar enraizada numa verdade absoluta,  minhas próprias conservas culturais.  Assim como a realização do jovem não está em rotular a escolha de uma única vocação, como a saída para o mercado de trabalho.

O salva vidas para sobreviver profissionalmente parece estar sempre na valorização de si, na disponibilidade para o novo ou na revisão dos velhos e sustentáveis valores – auto-conhecimento, respeito, compaixão, sociabilidade e ética. Ser cidadão do seu próprio mundo em primeiro lugar, para a seguir lutar pelo sobreviver com paixão, neste início de carreira profissional e enfim aprender sobre o viver.

 

1. Dom Bosco Bom Retiro -Instituição oferece cursos profissionalizantes na área de mecânica, elétrica, técnicas administrativas.

 

SOBRE O VIVER DO PSICODRAMA LÚDICO CORPORAL

Herialde Oliveira Silva

Nasci e cresci numa família onde os jogos, as festas, as brincadeiras, o canto e a dança sempre estiveram presentes e foi assim que meus irmãos e eu aprendemos não só a ler e a escrever, mas a viver, buscando o prazer, a alegria e o ser feliz.

Quando cursei o magistério e ao engessar na carreira profissional, levei para a sala de aula esses recursos, tornando o aprendizado dos meus alunos mais prazeroso e motivador.

Essas estratégias são usadas até hoje por mim, no atendimento terapêutico com meus clientes, nos treinamentos nas empresas públicas e privadas, nos cursos de formação em psicodrama, nas supervisões, com os profissionais que trabalham com os mais diferentes grupos e já fizeram meus cursos e nas instituições, escolas e comunidades que solicitam os meus serviços.

Quem batizou o meu método com esse nome foi um dos onze grupos que formei em psicodrama no Eu – Tu Núcleo Psicopedagógico, criado e coordenado por mim, e o batismo aconteceu na ação, no sentir, pensar e agir psicodramático.

Esse método proporciona uma forma eficaz para integrar pessoas transmitir conhecimentos, tratar relações e acompanhar processos terapêuticos pois a compreensão do conhecimento se dá em campo relaxado e com muita freqüência, despertando o desejo de viver e conviver, agindo muito, sentindo e pensando cada vez mais, confirmando o que a neurociência prova e comprova e o psicodrama concretiza em termos de mudar, transformar e crescer através do fazer.

Trabalho com o Psicodrama, com o lúdico e com o corporal porque:

- O Psicodrama – com sua base socianômica que mede e trata de forma dinâmica e interativa as relações, nos oferece além do método, toda uma teoria e uma filosofia para sustentar e confirmar o que foi, é ou será vivenciado.

- O Lúdico – através dos jogos, objetos intermediários e recursos variados como a sucata, o canto, as danças, o jornal vivo, o teatro espontâneo, as montagens, colagens e o desenho, favorece o compreender a realidade através de estratégias muito simples, porém sérias e agradáveis, complementando o método psicodramático.

- O Corporal – com abordagens ricas e variadas, proporciona desde o despertar sensorial, a soltura do movimento, a liberação das vias de energia, liberando gestos, sinais e toques, o desempenhar e trocar papeis, permitindo que alcance o mais alto grau de expressão e comunicação.

Acredito que o Sobre Viver do Psicodrama Lúdico Corporal se deve ao meu estar sempre vivendo e acompanhando o “Aqui e Agora” de cada época, de cada nação, de cada sociedade, de cada comunidade e de cada pessoa com as quais convivo, utilizando sempre esse método de longo alcance que também me beneficia, que educa, reeduca e é um grande auxiliar em qualquer tipo de aprendizagem, que ajuda a sustentar políticas públicas sociais e empresariais e acompanha processos terapêuticos propiciando mudanças e transformações para um viver e conviver digno, feliz e com muita saúde e qualidade.  

 

COM VIVER COM A CRIANÇA

                                                                           Jane Maciel Settembre

É vida, é surpresa, é alegria, é espera . . . .

Com suas fantasias, também sonhar,
Com seu riso, também rir,
Com a sua tristeza, também entristecer,
Com as suas brincadeiras, também brincar,
Com a sua energia, também energizar.

É voltar à infância e redescobrir a espontaneidade . . . .

Sujando,
Correndo, 
Divertindo,
Falando,
Gargalhando,
Aprendendo.

É aprender a ler nas entrelinhas . . . .

Chorar por ela,
Falar por ela ,
Expressar por ela,
Argumentar por ela,
Brigar por ela,
Defender por ela.

Seu Ego-auxiliar ser

Com viver com a criança é ver a vida desabrochar. . .

Apesar dos dissabores,
Apesar das frustrações,
Apesar das dores.

 

 

BREVE REFLEXÃO SOBRE O VIVER SAUDAVELMENTE

Jerusa Canhedo de Almeida Sertori

Quando fui convidada a escrever algo sobre o “viver”, pensei na dificuldade da tarefa, em virtude do tema ser um tanto complexo. Não sabia por onde começar, porque a proposta me parecia muito ampla; era preciso focar, diminuir a abrangência. Nesse momento veio-me à lembrança uma música do Almir Sater “... Ando devagar, porque já tive pressa, e levo este sorriso, porque já chorei demais...” . Assim, achei o meu foco: aprender a “sobre viver”.

O sofrimento é inerente a “ser” humano, portanto, nós psicodramatistas não podemos ser prepotentes e acharmos que “acabaremos” com ele; a vida se incumbe de colocar dores no nosso caminho. Resta-nos apenas contentarmo-nos em conseguirmos auxiliar nossos clientes a minimizá-las.

O que nos difere de outras espécies animais é a capacidade de manejarmos (com os recursos que viemos a dispor) situações do dia a dia, que possam causar sofrimento. Sobreviver, apenas, não parece ser difícil, afinal somos dotados do instinto de sobrevivência; a dificuldade se encontra no aspecto saudável com que se vive, física e emocionalmente.

Diz-se que errar é humano; acredito que - mais do que tudo - seja da espécie animal, pois até os irracionais aprendem com o erro praticado (talvez, mais facilmente do que nós).

Como o ser humano pode, então, utilizar esse aprendizado? Penso que se desejamos progredir, principalmente na forma com a qual lidamos com nossas emoções, devemos “desacelerar”, ao menos o suficiente para “olharmos para dentro”.

Temos a inútil tendência de procurarmos saídas nos referenciais externos, mas, se não nos percebemos adequadamente, como poderemos fazê-lo com o que nos rodeia? Como poderemos manter relacionamentos saudáveis, se nos falta compreensão e contato com nossas emoções, sensações e sentimentos? Quanto melhor nos relacionarmos com o nosso “mundo interno”, tanto maior será a probabilidade de interações adequadas com o mundo e com os indivíduos.

Quanto melhor estabelecido e íntegro o nosso “conceito de identidade” (conjunto de crenças e valores, na Análise Psicodramática idealizada por Victor Dias) e com menor quantidade de conteúdos excluídos – que o foram, justamente por se chocarem frontalmente com o conceito de identidade vigente -, maior nossa capacidade de aprender e apreender com nossas vivências.

O indivíduo é, por força da natureza, um ser social, dependente, portanto, de uma rede sociométrica razoavelmente capaz de fornecer-lhe subsídios de continência e acolhimento para suporte e compartilhamento de seu sofrimento. Quando isso acontece, o sobreviver torna-se mais possível e adequado.

O objetivo do psicoterapeuta é auxiliar na capacitação do indivíduo quanto à continência interna, ou seja, que ele possa encontrar recursos próprios para enfrentamento das situações conflitantes, propiciando a espontaneidade-criatividade. Por isso, essa relação “terapeuta x cliente” necessita ser télica para que possa servir de modelo de relações saudáveis no “mundo lá de fora”.

O cliente precisa sentir que seu terapeuta pode dar-lhe continência, que ele pode “conter”, isto é, suportar em sua psique, o sofrimento que lhe é trazido. Temos, sim, a capacidade de criarmos, sermos únicos (tanto como indivíduos, quanto como terapeutas), e, da mesma forma como aprendemos a resignificar a nossa trajetória, podemos auxiliar nossos clientes a fazerem o mesmo.

Lembrando ainda Almir Sater “...cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, de ser feliz...”. Nada mais moreniano, não?!

 

Tocando em Frente
Almir Sater/ Renato Teixeira 

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
e nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou
Estrada eu vou

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz


SOBRE O VIVER: COACHING E PSICDRAMA,
NOVAS POSSIBILIDADES 

José Maria de Morais

Nossa escolha profissional é definitiva? Queremos e podemos crescer profissionalmente?

Para a primeira pergunta a resposta é depende, pois se estamos satisfeitos e progredindo com esta escolha não há necessidade de uma mudança de área. Para a segunda questão crescer profissionalmente é exigência de mercado, as cobranças são diárias, internamente e externa, caracterizando muitas vezes conflito entre como me sinto e como o meio me ver e solicita novas respostas.

Neste momento muitas vezes nos sentimos “perdidos”, pois falta-nos clareza de direcionamento, compreender o que ocorre internamente e oferecer as respostas que o mercado profissional solicita. Umas das ferramentas utilizadas hoje para orientar os indivíduos a compreender o seu momento pessoal e profissional é o processo de “Coaching”:

Coaching: Processo diretivo desenvolvido por um Gestor/Coach a fim de orientar e treinar um profissional de acordo com as realidades do ambiente do trabalho e pessoal, ajudando-o a eliminar os obstáculos em seu desempenho/resultados.

Coah: Termo que significa Treinador, idéia retirada dos esportes. Este profissional juntamente com seu “Cochee” estabelece um roteiro de trabalho com metas claras a serem atingidas.

Cochee: Indivíduo que busca orientação para mudança nos campos pessoal ou profissional que naquele momento não consegue atingir as metas e resultados esperados.

Este processo deverá ter um total de 08 a 15 encontros com tempo aproximado de 02 horas, onde o Coach e Coachee estabelecem um plano de trabalho, deixando claros os diferentes papéis, estabelecendo as metas a serem alcançadas. Tudo deverá ser medido. As tarefas são imprescindíveis para que o Coachee assuma sua responsabilidade no processo.
O processo de Coaching funciona como um programa de treinamento, por isto deve ter levantamento das necessidades, planejamento e execução, e além de tudo, a avaliação, ou feedback.

O Psicodrama e Coaching:
Uma das definições de Papéis por Moreno é: “Modelo de experiência pessoal ou personagem imaginária cujo modo de ser ou escolha existencial determina características evidentes de comportamento; nestas, há predomínio de uma opção, de um traço de ‘personalidade” ou de uma paixão”.

Cabe, portanto ao Psicodramatista experiente utilizar a metodologia desenvolvida por Moreno para que o Coachee consiga atingir suas metas, tendo clareza de que não se trata de um processo psicoterápico e sim algo pontual, podendo ser desenvolvido por profissionais com formação nos dois focos: Psicoterápico ou Sócio-Educacional.

 

SOBRE O VIVER DO SER PSICODRAMATISTA

                                                                      Lucio Guilherme Ferracini 

Apesar de toda a importância que o
comportamento verbal possa ter, o
Ato é  anterior  a Palavra e a inclui”.
J.L. Moreno

 

Este texto faz parte de uma fase da Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama – ABPS, tendo no momento com porta-voz, Elisabeth Lorenzetti Bez Chleba, que buscou estimular os professores desta instituição a deixarem impresso sua prática profissional e docente relacionada ao Psicodrama.

        Escolho colocar um holofote sobre uma etapa desta abordagem: a Dramatização.

         Considero-a como a viga mestre de todo e qualquer trabalho que receba o nome de Psicodrama, sendo constituída de uma realidade que inclui a fantasia (realidade suplementar) dentro de um contexto próprio (no palco), onde um cenário é construído pelos participantes e ocupado pelos personagens (protagonista e egos-auxiliares). É nesta etapa onde os conflitos, angustias, o desconhecido toma forma e vida, buscando sua compreensão e/ou resolução.

        Alguns argumentos, os quais creio servirem de defesa a tal idéia:

  • Conceito presente com constância durante o desenvolvimento da obra moreniana.

 

  • Diversas cenas bibliográficas ilustram (a Brincadeira de Ser Deus, Caso George e Bárbara, a briga pelo Muro danificado como marco para a Criação do Sociodrama) a trajetóra de Moreno, baseado na construção do conhecimento, partido da ação para a compreensão (visão fenomenológica).

 

  • O próprio nome Psicodrama, que vem do “grego, que significa ação”, que em principio se referia a uma das modalidades de tratamento (Sociatria), assumindo o papel de representante de toda a Ciência Social (Socionomia) desenvolvida por Moreno.
  • A dedicação  de psicodramatistas na atualidade (Regina Monteiro, Moysés Aguiar, Maria Alicia Romana, Sergio Perazzo, Rosa Cukier entre outros) ao seu estudo e aplicabilidade.

 

Reconheço minha visão radical de que praticar Psicodrama está imbricado em dramatizar, podendo por vezes, não ser indicado, sendo mais útil ou possível outro método ou intervenção, como psicoterapia verbal, dinâmica de grupo, mas que atribuamos os nomes adequados.

O Viver com Psicodramatista reside em suas intervenções junto ao protagonista, ego-auxiliares e platéia, tendo a Dramatização como seu lócus nascendi.

 

SOBRE O VIVER: A DOR PSÍQUICA DO CÂNCER 

M. Cristina Salto 

Câncer é uma doença universal de prevalência crescente, sendo um dos principais problemas de saúde pública na sociedade moderna e, como tal, continua sendo exaustivamente estudado e pesquisado pelo corpo médico-científico.

O atendimento em grupo de sala de espera anterior à consulta médica propicia aos pacientes e familiares, um espaço terapêutico para que estes possam falar das angústias, dificuldades e limitações que esta enfermidade causa, além de verificar como se sentem no aqui-agora, por este ser o dia da consulta médica.

Nosso trabalho se desenvolve na medida em que aspectos emocionais e físicos da doença passam a enfatizar o caráter preventivo do cuidado com a saúde, visto que devemos possuir uma visão filosófica humanista, na qual o ser humano é considerado em sua totalidade.

Os relatos de estudos e o contato com pacientes oncológicos evidenciam a ocorrência de variáveis psicológicas na instalação e desenvolvimento do câncer, sendo esse o resultado da não homeostase e da desarmonia do organismo no indivíduo, decorrente da relação que estabelece com relação à vida e seus valores.

Assim, realizamos um estudo que teve por objetivo investigar as experiências emocionais relevantes associadas ao câncer e os efeitos do trabalho desenvolvido em sala de espera com grupos de pacientes oncológicos adultos. Além disso, buscamos promover a adesão às orientações propostas e, que o compartilhar destas vivências, pensamentos, sentimentos e percepções, pudesse criar um diferencial, gerando melhor qualidade de vida, aumento da responsabilidade e do conhecimento sobre a doença. Para atingirmos esses objetivos, fizemos uma análise qualitativa das sessões psicoterápicas com enfoque clínico terapêutico através da abordagem psicodramática.

Os resultados obtidos na realização deste trabalho foram agrupados em três tópicos: temas abordados nos grupos, predominando respostas de medo e aceitação; depoimentos colhidos, apresentando acentuada predominância de respostas de manifestações positivas no aqui-agora e fragmentos significativos de algumas sessões, observando-se mudanças de atitude positivas nos pacientes.

Esse estudo constatou a importância e eficácia do trabalho desenvolvido em sala de espera com grupos, os quais relatam serem favoráveis a sua continuidade, bem como, sugeriram que este fosse expandido pelas diversas clínicas médicas.


SOBRE O VIVER COM JOGOS DRAMÁTICOS
NAS ETAPAS DA SESSÃO DE PSICODRAMA

Norival Albergaria Cepeda

                De modo geral, a etapa do Aquecimento Inespecífico constitui-se no processo de busca de maior interação entre os componentes do grupo, e é sempre conduzido pelo diretor que pode apenas estimular a intervenção verbal dos participantes ou solicitar também a movimentação corporal das pessoas, através de exercícios e jogos dramáticos.

                Quando o diretor define o protagonista, inicia-se a etapa do Aquecimento Específico – que consiste na preparação do protagonista para o trabalho dramático, com a escolha da cena, a montagem do cenário e a inclusão dos personagens no palco. Porém, em muitos casos, o diretor pode optar por trabalhar o protagonista (ou o tema protagônico) através de um jogo dramático, ao invés de  dramatizar uma determinada cena.

                Em seguida, inicia-se a etapa da Dramatização, com a representação da cena preparada, ou com a aplicação do jogo escolhido e anunciado na etapa de aquecimento específico.

                Terminada a etapa da dramatização, inicia a etapa dos Comentários.
       
                No que se refere a utilizar jogos dramáticos na sessão, o diretor, em seu plano de ação, precisa ter clareza de qual será o tema principal que ele vai trabalhar. O tema será a base para ele montar o  planejamento da sessão como um todo, bem como, para ele decidir de que forma será o aquecimento inespecífico (na forma verbal e/ou com movimento – e quais os jogos de aquecimento inespecífico ele poderá escolher nesta etapa), e também quais os jogos que ele elegerá para trabalhar o tema principal na etapa da dramatização.

                Porém, a preparação para o jogo (do tema principal) se dará na etapa do aquecimento específico da sessão psicodramática, no contexto dramático, onde os participantes serão preparados e instruídos quantos ao jogo propriamente dito, as regras, aos papéis que serão desempenhados, etc. Portanto, nesta etapa de aquecimento específico da sessão, a focalização da atenção deve se voltar especificamente para a preparação do jogo anunciado.

                Em seguida, dá-se a etapa da Dramatização que corresponde à realização dos jogos propriamente ditos (pois, pode-se aplicar mais de um jogo). Os jogos são sempre realizados no contexto dramático.

                Se os jogos da etapa da dramatização têm o objetivo de trabalhar o tema principal, os jogos de aquecimento inespecífico são destinados a por o grupo em movimento, a relaxar o campo terapêutico, a reconectar-se com o corpo, a favorecer o contato consigo mesmo e as interações iniciais entre os participantes, criar um clima favorável às atividades grupais, a facilitar a obtenção da disposição e da revitalização física e mental, bem como, a obtenção de um melhor estado de espontaneidade das pessoas, criando condições para que as pessoas comecem se sentir mais à vontade umas com as outras e no grupo. “Buscar a espontaneidade através do aquecimento é um dos objetivos do Psicodrama. Sem espontaneidade não há encontro” , nos diz Bustos. Contudo, estes jogos não têm, necessariamente, o objetivo de trabalhar o tema principal.

 

SOBRE O VIVER DO MUNDO VIRTUAL

Odaice Formagge Santos

        “Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face”, no passado a única forma de se comunicar era esta, o encontro de dois seres humanos possibilitava o contato, envolvendo-se na representatividade advinda do som e das palavras, do toque, do silêncio que envolvia esse encontro, das palavras que não eram ditas, somente sentidas, através  da linguagem analógica. A separação fazia com que esperassem por esse novo encontro.

        Com a escrita, uma parte desta saudade foi resolvida, a carta era enviada ao destinatário que, após dias, às vezes meses, recebia um papel que “falava” do outro. Não havia mais toque, nem olhos nos olhos, somente imaginação, devaneio. Depois veio o telefone, em segundos conseguimos o contato com o outro, em qualquer lugar que esteja, que loucura!!!! Podemos ouvir uma voz do outro lado. Agora, o maior meio de comunicação, usado por grande parte da população: o computador, máquina perfeita, capaz de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo, de levar o indivíduo a qualquer lugar, levando-o a um mundo virtual. É através deste novo mundo que grande parte da população tem se relacionado.

        As cartas e os telefonemas eram feitos àquelas pessoas com quem se tinha algum vínculo, diferente do que acontece através da rede, uma vez que os internautas se relacionam com pessoas que nunca viram, apresentando-se através de um NICKNAME, o que o faz ignorar, muitas vezes, nome, idade, profissão, de quem está do outro lado.
       
Essa máquina maravilhosa permite que o indivíduo crie e se relacione através de um personagem. Ali ele é o que quer, pode viver sua imaginação e se relacionar através de papéis psicodramáticos, ou seja, através da fantasia. Nos sites de namoro, segundo pesquisa, ao se descreverem, geralmente as pessoas colocam algo que imaginam que fará com que o outro o escolha. Como se dá essa relação a partir daí, uma vez que o computador pode ser ligado e desligado e, com isso, todo universo que estava ali naquele momento, em segundos desaparece?

        Com essa nova forma de se relacionar, o toque, o cheiro, o olhar, a voz, o som das palavras, tão mágicas e poderosas, se perderam, pois através do mundo virtual as pessoas se conhecem, se relacionam, fazem sexo virtual e muitas se casam.

        Nietzsche dizia: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”. Como isso acontece através do mundo virtual? Como isso acontece quando nos casamos com alguém que fantasiamos?
 


 SOBRE O VIVER - COMÉDIAS E TRAGÉDIAS

Rosalvo Pires 

O homem continua a evoluir. A questão é: “Para onde?”.
O futuro evolutivo não vai depender da Biologia, mas da Cultura.
A evolução biológica é lenta, depende de mutações da genética que são raras, enquanto a evolução cultural é mais rápida e contagiosa.

As descobertas prometem uma melhor qualidade de vida.
Mas como democratizar o viver mais e melhor?

A  COMÉDIA

A cultura humana idealiza que:
crianças voem e desenvolvam-se nas asas da imaginação;
jovens corram e escalem seu crescimento, desafiando a vida estabelecida;
adultos caminhem  e construam independência que garanta sua vida e de sua família;
maduros naveguem e conquistem experiência para contribuir com a humanidade;
velhos flutuem na tentativa de alcançar a insustentável leveza do ser.

A  TRAGÉDIA

Infelizmente não conseguimos democratizar o viver mais e melhor.
É um privilégio de poucos viver mais.
E quase uma exceção viver mais e melhor.

A  VIDA

A criança sente e age.
O jovem sente, pensa e age.
O adulto sente, pensa, cuida de si e do outro e age.
O maduro sente, pensa, cuida de si, do outro, do ambiente e age.
O velho vive.

  O Ser Humano deve orientar, permitir, dificultar ou impedir o outro quando se fizer necessário.

 

A TEORIA

“Os elementos AR, FOGO, TERRA e ÁGUA são engrenagens da vida que se devem fundir harmoniosamente para que possa haver saúde física e mental”. Randolph Stone

 O DRAMA DO VIVER pode se apresentar através de oito estratégias elementares, sendo quatro cômicas e quatro trágicas.

Estratégias Cômicas

AR-Sensível é:
 encantador, animado, comunicativo, sedutor, emocional...
 FOGO-Decidido é:
 empreendedor, seguro, independente, persuasivo, intuitivo...
 TERRA-Generoso é:
tolerante, protetor, apaziguador, sentimental, compreensivo...
ÁGUA-Tranqüilo é:
ponderado, analítico, pensador, planejador, organizado...

Estratégias Trágicas

AR-Histérico é:
Impulsivo, bajulador, indisciplinado, inconveniente, tagarela, convencido...
FOGO-Paranóide é:
Grosso, agressivo, autoritário, intolerante, imprudente, manipulador...

TERRA-Depressivo

Tolo, desanimado, insatisfeito, ressentido, ingênuo, pessimista...
ÁGUA-Obsessivo
Chato, prolixo, hesitante, improdutivo, indiferente, relutante...

O PSICODRAMA

QUEM TRANSCENDERÁ?
O Ser Espontâneo que desenvolver pelo menos: uma estratégia elementar cômica na infância, duas na juventude, três na maioridade, quatro na maturidade e quantas forem necessárias antes da eterna idade. Caso contrário apresentará estratégia (s) trágica (s) principalmente determinada por fatores hereditários e desenvolvida na infância.     

 

SOBRE O VIVER
                                                                         
Rosa Lidia P. Pontes

 

         O tema “sobre o viver” neste momento me inspira a uma reflexão, a um livre pensar, ou, em linguagem psicodramática, a um solilóquio. Mais a uma crônica do que a um artigo.

        Veio-me à cabeça a lembrança de meu aniversário de 30 anos. Todos os que me conhecem sabem que nunca me preocupei muito com esta história de idade, até talvez por durante muito tempo ter sido a mais nova na maioria dos grupos dos quais participei, fato que atualmente, não mais ocorre! Mas enfim, lembrei – me do sentimento de estranheza de que fui tomada: não conseguia me sentir com esta idade.  Acabara de dar à luz a uma filha, estava me cuidando, fazendo regime, fisioterapia, e recuperando meu corpo. Minha pele estava bonita, meus olhos vivos, meu corpo e minha cabeça em forma. Profissionalmente me sentia realizada e a todo vapor: psicodrama na educação, no consultório e nas salas de aula. Sentia-me jovem, bonita, cheia de vida e com um futuro sorridente a minha frente. 30 anos!!! Fui para terapia. O que era isso? Que sentimento estranho! Na sessão fui elaborando o que era para mim uma mulher de 30, o significado interno. De repente vi a minha frente uma senhora gorducha, de óculos, cabelos presos em um coque (palavra estranha, não é?), dona de casa, cuidando de filhos já grandinhos, aguardando o marido para jantar... e epa! Eu não era essa mulher. Mas esta era a mulher de 30 que eu havia conhecido. Não se encaixava, e, me vi sem modelos, eu estava criando a minha mulher de 30.

        Continuando nas minhas digressões sobre o tema, lembrei-me de minhas brincadeiras. Eu tinha meus “bebês”, sim minhas bonecas eram bebês, não eram Barbies com carro, escritório e o Ken como namorido. Brincava de casinha no quintal de terra da casa de uma amiguinha onde cozinhávamos, literalmente, arroz e outras comidinhas, em um fogãozinho improvisado feito com tijolos e uma tampa de lata de doce em conservas. Se um menino quisesse brincar, o colocávamos no papel de marido que só entrava na brincadeira para almoçar e em seguida dávamos a ele uma pastinha e o mandávamos trabalhar, para não atrapalhar. Era assim que eu estava elaborando o meu papel feminino e o meu contra – papel masculino. Vejo – me mais uma vez sem modelo e sem treino. Tive que re – construir as figuras de homem, mulher, pai, e mãe.

        Divago mais um pouco e me vejo com filhos adolescentes. Meus Deus! Noiva, eu tinha que chegar em casa às 21:00 horas, e como dizia meu pai, não era 21:01, nem 02, nem 03, nem 04. Meus filhos começavam a se arrumar para as baladas lá pelas 23:00 e argumentavam que era melhor chegar em casa já ao amanhecer, pois tinha menos perigo!!!

        E, agora, me vejo aos 56 anos, com um pai de 91 e uma mãe beirando os 90! Como cuidar deles? Quais as melhores atitudes? Respeito-os e deixo-os em sua casa, ou obrigo-os, sim, porque eles não querem, a vir morar comigo ou com minha irmã? Tendo as respeitá–los, pois acho que também gostaria de ser respeitada e manter-me em minha casa, com minhas coisas, com minha vida. Mas como garantir que estarão bem cuidados? Eu tenho minha vida, não posso estar com eles as 24 horas e eles necessitam de atenção o tempo todo! Paro de escrever, pois tenho a idéia de pesquisar na Internet a instalação de câmeras no apartamento para que eu possa acompanhar como estão sendo tratados. Acho que é uma boa idéia! Já enviei um email para uma empresa solicitando esclarecimentos e orçamento. Eu me sinto perdida e desamparada: ninguém sabe bem como lidar com idosos. Antes as pessoas não viviam tanto! Estou aqui a criar um novo papel. O de mãe - filha de duas crianças – velhas.

        Somente posso concluir: Haja espontaneidade! O Deus criador que sou não pode cochilar senão não sobrevivo!                                                                                                       


SOBRE O VIVER

                                                                     Sergio Perazzo

        Morreram no mesmo dia Fernando Torres e Waldick Soriano. O grande ator e diretor de teatro e o Rei do Brega.

        Fernando Torres marcou o teatro e o cinema brasileiros com suas atuações notáveis como ator e com sua direção de peças teatrais com sua mão competente que arrancava das profundidades da alma o tom e o colorido dos personagens. Atuou em algumas novelas, o ganha-pão inevitável de muitos atores de teatro, que ficam mais visíveis quando vão pra telinha. Fernando muitas vezes era mais conhecido por ser marido da Fernanda Montenegro e pai da Fernanda Torres.

        Waldick Soriano, baiano de nascimento, que passou pelo calvário de tantos brasileiros pobres de fazer de tudo um pouco, como o ex-camelô Silvio Santos, acabou encontrando sua vocação como cantor de músicas de gosto duvidoso, estou falando do meu gosto, brega é pouco, ele mesmo um personagem sempre vestido de preto com um chapéu de abas estreitas também preto e óculos escuros. Waldick assumiu inteiramente o papel de Rei do Brega em tempo integral e, como tal, ia direto ao centro do coração popular novelesco do brasileiro comum.

        Não deu outra, podem conferir. Waldick com sua morte ganhou, no mínimo, o dobro do espaço na mídia que o Fernando Torres (jornais, Veja, TV, etc).

        Que pensar de tudo isso?  Que o Fernando, indo de encontro a uma estética mais refinada de uma minoria mais culta merecia mais destaque ?  Que este é o panorama esperado da população brasileira cronicamente roubada de suas possibilidades educacionais nunca alcançadas, alvo constante de demagogos políticos, bregas sofisticados em seus propósitos corruptos ?  Que Eu não sou cachorro não, o grande  sucesso do Waldick, só porque brega, sob o ponto de vista de uma elite intelectual, não merece tanto destaque, apesar da grande aceitação popular, que um monólogo de Shakespeare ou uma cena de Nelson Rodrigues, o brega tornado culto, jamais conseguiriam ?   Que a mídia fatura um bom dinheiro com este papo de democratização da cultura construída artificialmente na pauta dos jornais, no fundo das redações?

        Quem sou eu para resolver este insondável mistério!  Mesmo porque, assim como eu, você, leitor, estamos igualmente inseridos nos desdobramentos da História, neste corte transversal que é o hoje e, por isso mesmo, sem um distanciamento crítico suficiente para uma análise abrangente e isenta de tais fenômenos de nossa contemporaneidade.

           Só nos resta o viver e, se sobrar espaço, uma pequena reflexão sobre este viver.  Se somos bregas ou refinados, se encarnamos personagens na nossa vida e que personagens encarnamos. Se de terninho e chapéu somos flagrados em nossa breguice  e se isso nos garante dividendos sociométricos e espaço na mídia.  Se o mergulho de cabeça em valores sólidos e conseqüentes nos garante uma posição privilegiada bem no meio de nosso átomo social.  Se o nosso psicodrama anda ou desanda na direção da breguice  ou da sofisticação e profundidade cênica, da democracia ou do democratismo do trabalho com grupos, da espontaneidade ou do espontaneísmo, da criatividade ou do criativismo.  Enfim, do fernandismo ou do waldeckismo. Pena que morreram os dois, não ao acaso, no mesmo dia.  É possível juntar as duas tendências e ainda dizer que tudo é farinha do mesmo saco sobre o viver e sobre quem sobreviverá?  Afinal de contas, eu não sou cachorro não. Au! Au!

 


MUNDO REPETITIVO X PSICODRAMA
VISÃO CONTEMPORÂNEA
 
Suely Pavan

 

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema

(Admirável Chip Novo-Pitty)

 

O psicodrama pode ser definido como um método que valoriza a ação. A ação espontânea, o grande mote para a criatividade. Não a criatividade ligada somente à arte, mas aquela que é capaz de transformar e dar sentido ao nosso dia-a-dia. Visa a descoberta ou o re-encontro com aquilo que Moreno definiu como centelha divina.

Com o potencial criativo o trabalho, por exemplo, ganha alma.

Quando apresentei minha monografia para o título de didata-supervisor em psicodrama, o tema abordado foi “Psicodrama Empresarial diante da Nova Cena Social/Organizacional”, porém o foco ou cena principal foi a sociedade contemporânea. Nas minhas pesquisas apoiei-me em análises sociológicas e filosóficas do mundo atual. E que mundo é este?

Nele há uma repetição de padrões normativos, modelos comportamentais a serem seguidos. Estes modelos afetam tanto o mundo empresarial como a vida das pessoas. Termos como administrar a vida, quebrar paradigmas, e outros advindos das empresas já tomam conta da vida “comum”daspessoas.Muitos até buscam gerir a sua vida, como gerem as suas empresas ou trabalhos. Moreno, o criador do psicodrama, tinha uma visão muito diferente deste repeteco contemporâneo, já que dizia que todos somos autores e atores dos diversos papéis que vivemos. Temos, portanto, a possibilidade de ser um profissional, pai, motorista, etc., de acordo com nosso livre arbítrio. Vale lembrar que a palavra espontaneidade tem sua origem no latim – sponte - e significa “de livre vontade”.  
 
Veja a diferença da abordagem psicodramática com aquela na qual todos nós convivemos diariamente. Basta entrar numa livraria e dar uma rápida olhada pelos títulos. A maioria começa com a palavra “Como”. Há modelos disponíveis para tudo: arrumar um emprego; encontrar o homem de sua vida; gerenciar ou liderar uma empresa. E ao estilo “copia e cola”, muitos tem se sentido bastante infelizes por não conseguir chegar à altura destes padrões comportamentais.

Pessoas têm procurado fórmulas mágicas e rápidas para todos os seus problemas. Empresas têm investido alto em palestras motivacionais, que na maioria das vezes apenas instalam mais uma vez um modelo inatingível a ser seguido, sem se preocupar com a espontaneidade e capacidade criativa de seus funcionários. Recentemente estive numa empresa, e pude verificar o padrão repetitivo no jeito de andar e vestir. Pareciam robôs.

Nas entrevistas de emprego muita gente parece chegar hipnotizada, com respostas prontas e na ponta da língua.

Estamos nos relacionando uns com os outros como Eu-Isso, ao invés do EU-TU. O outro passa a ser uma coisa, e esquecemos que o outro é um ser humano. Não é o motoqueiro, não é o trainee que tenta a todo o custo se enquadrar nos padrões exigidos por uma empresa; é, antes de tudo, uma pessoa.

O preço deste enquadramento e comportamento repetitivo é o aumento considerável dos casos de depressão, síndrome do pânico, ansiedade e anorexia, além dos males físicos. O homem e a mulher estão se tornando a cada dia mais distantes de si mesmos.

Em muitas dramatizações que apliquei em minha carreira profissional constatei que o maior desafio é a resposta à pergunta: O que você está sentindo agora?

Percebi que quanto mais intelectualizada (mental) é uma pessoa, mais ela tende a responder com pensamentos ou modelos comportamentais estereotipadas (repetitivos) e aceitos, ao invés de dar voz aos próprios sentimentos. Por exemplo, é comum em cursos de desenvolvimento profissional perguntar a alguém que está no papel de gestor:
- O que você está sentindo no papel de gerente?
E ouvir...
- O Hunter, autor de ”O Monge e o Executivo” disse que um líder deve ser servidor....
Insisto na pergunta: - Mas e você, como está se sentindo?
Depois de muita insistência, a resposta quase sempre é: Não sei!

E a partir dos “não sei” tantas vezes proferidos, o grupo se liberta dos modelos, e assim começamos a trabalhar verdadeiramente em busca do papel real que cada um é capaz de criar.      

Ou seja, o psicodrama, como teoria e método, é libertador e potencializador, já que não cria normas comportamentais a serem seguidas.

Infelizmente, ainda é visto apenas como “jogo” ou “teatrinho”. Uma cilada para o professor e supervisor desavisados. Os próprios alunos de formação em psicodrama precisam ser desrobotizados, já que fazem parte da sociedade contemporânea. Os alunos quase sempre tendem a “enquadrar” o psicodrama às suas realidades conhecidas. “Vou aplicar aquele jogo”; “Posso fazer role playing (desempenho espontâneo de uma papel) para “treinar” competências (confusão bastante comum com role training ou enquadramento nos papéis exigidos pelas empresas); “Vou usar a técnica do psicodrama (psicodrama não é técnica, é teoria e método); “No aquecimento vou usar o filme motivacional (confusão ente aquecimento inespecífico e específico do psicodrama, e o utilizado para quebrar o gelo no treinamento tradicional), etc e tal.

É preciso e essencial que alunos em formação consigam fazer leituras da contemporaneidade. Se assim não agirem, correrão o risco de esquecer o “contexto” e utilizar o psicodrama de forma romântica ou à moda antiga. Neste ponto a visão da sociologia ajuda, e muito. O olhar de um psicodramatista deverá ser sempre a cena social; deixar de vê-la é cometer um erro grave. É repetir modelos ao invés de ser espontâneo.   

Minha preocupação como professora e supervisora sempre foi e será enaltecer o valor real do psicodrama como método libertador em seus diversos contextos. Meus alunos de supervisão foram desenvolvidos no sentido de respeitar antes de tudo as premissas morenianas, sendo a principal a potencialização da auto-estima e criatividade. O foco relacional, o corpo que se movimenta no espaço psicodramático, a utilização adequada das técnicas psicodramáticas de modo que a dramatização não se torne uma simples encenação, são fatores fundamentais para que os futuros psicodramatistas não tenham uma visão distorcida da metodologia psicodramática. Que ela não se torne apenas mais um método enquadrador no mundo contemporâneo, e que, através do movimento criativo que por si só é revolucionário, outras pessoas que fazem parte da rede social do indivíduo possam também libertar-se. Se assim não for, apenas “enquadraremos” indivíduos e estaremos longe do sonho de Moreno.

Fico sempre imaginando se Moreno vivesse no nosso tempo. Com certeza estaria em todos os lugares, e tornaria o psicodrama uma ferramenta útil para que pudéssemos nos libertar das amarras comportamentais repetitivas. Nos lembraria através do psicodrama que somos capazes, sim, de reinventar as nossas vidas, viver cada um de nossos papéis de forma plena e criativa. E aos poucos poderíamos transformar este mundo um lugar mais habitável para todos. Sou utópica? Sim, eu sou, e Moreno no seu tempo também o foi. E graças a esta utopia hoje minha maior preocupação é com a formação dos psicodramatistas. São eles que tornarão possível que este mundo seja melhor. Que papéis profissionais, de gênero, de pais e de mães, entre outros,  sejam desempenhados através do role playing, principalmente, de uma forma nova, adequada ao contexto e criativa.  


Mini Curriculum:

Alcione Ribeiro Dias
Psicóloga, Psicodramatista Didata pela ABPS/FEBRAP, especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho pelo CRP/SP, e especialista em condução de grupos. Atuou como assessora de RH em empresa de grande porte por 10 anos. Atuação em RH, seleção, T&D e Planejamento Estratégico desde 1985. Sócia da GERARH Consultores.

Armando de Oliveira Neto
Médico psiquiatra formado pela Santa Casa, psiquiatra infantil, mestre em psicologia clínica e psiquiatria infantil, foi professor de diversas Faculdades de Psicologia e Medicina, atua ha 26 anos na área Hospitalar. Atualmente é responsável pela capacitação de médicos do Plano de Saúde da Família da região de Vila Prudente, Professor Supervisor de Psicodrama.

Elisabeth L. Bez Chleba
Psicóloga, supervisora, didata psicodramatista, pós graduada em RH, 23 anos de experiência em RH e em especialização de gestão ambiental

Herialde Oliveira Silva
Educadora, Psicóloga Clínica, Psicodramatista Didata Supervisora credenciada pela FEBRAP nos focos Psicoterápico e Sócio Educacional, consultora nas áreas educacional, clínica e empresarial, ouvidora da FEBRAP Federação Brasileira de Psicodrama.

Jane Settembre
Psicóloga, Psicodramatista Didata – Foco Psicoterápico pela ABPS/FEBRAP, psicoterapeuta de adulto, infantil e adolescente. Coordenadora de grupos de adolescentes em instituição pré-profissional. Acompanhamento de pacientes pré-operatória em cirurgia plástica.

Jerusa Canhedo de Almeida Sertori
Psicóloga desde 1979, formada em análise psicodramática pela EPP, psicodramatista didata - foco psicoterápico pela ABPS/FEBRAP. Atua na área clínica com atendimentos a adolescentes e adultos.

José Maria de Morais
MBA em Gestão Empresarial (FGV/RJ), Psicodramatista Didata Supervisor pela ABPS/FEBRAP, pós-graduado em Psicodrama, Programação Neurolinguistica e em Administração de Recursos Humanos, com especialização em Mediação de Conflitos. Psicólogo com atuação em Recursos Humanos e Consultoria Empresarial desde 1985. Professor universitário.

 

 

Lucio Guilherme Ferracini
Psicólogo, Psicodramatista Didata – Foco Psicoterápico pela ABPS/FEBRAP, Pos-graduado em Psicologia Hospitalar, psicoterapeuta em instituições e clínica, através do uso do Teatro Espontâneo.

Maria Aparecida Fernandes Martin
Psicóloga clinica infantil, adulto, casal e família, Psicodramatista Didata-Supervisora pela ABPS/FEBRAP, Diretora do Instituto Psico-Social e Educacional da ABPS – Gestão 2007/2008, Membro da Trupe de Teatro Espontâneo e Psicodrama Público D´Ale Tribodrama. Co-Coordenadora e Supervisora do Núcleo de Estudos de Psicodrama Infantil – NEPI/ABPS; Diretora de Divulgação e Comunicação da FEBRAP – gestão 2007/2008.

Maria Cristina E. Salto
Psicóloga,especialista em psicologia clínica com larga experiência no atendimento a adolescentes, adultos e grupos e supervisão de casos clínicos. Psicodramatista Didata-Supervisora (Foco Psicoterápico e Sócio Educacional) pela ABPS/FEBRAP e pela EPP em Análise Psicodramática. Pós-graduação em Psicologia Hospitalar pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – HCMUSP.

Norival Albergaria Cepeda
Psicólogo clínico de adulto, Psicodramatista Didata-Supervisor pela ABPS/FEBRAP, Membro da Trupe de Teatro Espontâneo e Psicodrama Público D´Ale Tribodrama

Odaice Formagge Santos
Psicóloga psicodramatista didata - foco psicoterápico, pela ABPS/FEBRAP. Atua na área clínica com atendimentos a adolescentes e adultos, e também como consultora realizando processo de recrutamento e seleção e desenvolvimento pessoal. Presidente da ABPS - gestão 2007/2008.

Rosa Lidia P. Pontes
Psicóloga pela PUCSP, Psicodramatista Didata Supervisora credenciada pela FEBRAP nos Focos Psicoterápico e Sócio Educacional, Especialista em Psicologia Clínica – CRPSP. Especialista em Psicologia Organizacional. Mestre em Educação. Sócia Proprietária da ACTO Desenvolvimento Profissional e Pessoal.

Rosalvo Pires
Psicólogo, Psicodramatista Didata Supervisor – Foco Psicoterápico pela ABPS/FEBRAP, psicoterapeuta de adulto, casal e família, consultor e sócio diretor do Espaço PSI.
    

Sergio Perazzo
Psiquiatra, psicodramatista, professor-supervisor didata credenciado pela Febrap, autor de diversos livros e artigos de psicodrama.

Suely Pavan
Psicóloga, Psicodramatista Didata Supervisora pela ABPS/FEBRAP. Consultora empresarial, “coaching de talentos” e palestrante. Sócia-Diretora da Pavan Desenvolvimento S/C. Ltda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PS - Bibliografias não citadas


Almir Sater e Renato Teixeira, “Tocando em Frente”.

 

ABPS - Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama