ABPS - Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama
   ARTIGOS - ARMANDO DE OLIVEIRA NETO

 

Contribuição das Psico-Neuro-Ciências para o Conceito de Espontaneidade na Teoria Psicodramática.

Quando pensamos em atividade psíquica, obrigatoriamente relacionamo-la à atividade cerebral. Hoje podemos avaliá-la, e até mesmo dimensioná-la por meio da Tomografia de Emissão de Positron (T.E.P.). Por meio deste exame laboratorial, podemos flagrar a atividade do Sistema Nervoso Central. Desta forma obtemos uma imagem tomográfica do cérebro em atividade funcional, ampliando o nosso conhecimento sobre a atividade da função mental, como por exemplo, a noção que nosso cérebro funciona em sistemas de redes neuronais. Uma das implicações deste conhecimento é que não mais tem sentido a classificação das ações em racionais ou emocionais.

Um outro aspecto a ser considerado é a capacidade intrínseca do S.N.C., entendendo aqui o neurônio, de se reorganizar. Isto nos lança à microscopia: células neuronais mudando seus prolongamentos axionais, suas membranas, com os respectivos receptores, tudo isso coordenado pelos núcleos celulares, os genes. No momento só podemos estabelecer modelos teóricos desta leitura, que o futuro responderá e nos orientará à respeito.

As psicoterapias, em seus objetivos maiores, procuram promover mudanças nos arranjosdo mundo intra-psíquico, em última análise de sistemas em redes neuronais. A Psicanálise, ao desvendar os complexos inconscientes, procura reorganizar as forças dos valores afetivos envolvidos nas vivências. A Gestalt-terapia tenta reordenar os elementos perceptivos, formulando novas gestaltens. A Análise Transacional denuncia os jogos ocultos, procurando uma nova estrutura transacional.

O Psicodrama objetiva a Espontaneidade, a procura de novas alternativas a antigos, ou novos, conflitos relacionais. Retornando ao cérebro, isto significa que um novo arranjo de ligações das redes neuronais, uma nova configuração do S.N.C., deva ser alcançado no processo psicoterapêutico.

E este fato poderá ser observado, mensurado e registrado. Acredito que, em futuro próximo, poderemos nos apoiar em registros como a T.E.P. para avaliarmos os resultados das intervenções psicoterapêuticas, afastando-nos de um empirismo medieval, lançando-nos na modernidade que se aproxima em velocidade cada vez maior.

O psicodramatista deve acompanhar os novos conhecimentos científicos, atualizando, reformulando e adequando conceitos, como o da Espontaneidade, apresentado aqui. Um outro exemplo de atualização é a Teoria da Matriz de Identidade, que permite uma importante aproximação com esta leitura, que pretendo apresentar em outra oportunidade.

Armando de Oliveira Neto - Professor-Supervisor da ABPS

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